domingo, 1 de junho de 2008

Dizem-me, eu não li, que Siza Vieira se confessa desencantado com o seu povo e pondera trabalhar apenas no estrangeiro.
Estou com o arquitecto. Eu faria o mesmo. (Bem, faria o mesmo se me garantissem que lá fora podia pagar aos jovens arquitectos
que nos fazem o trabalho todo no atelier a mesma miséria que aqui em Portugal. Ou, em alternativa, se pudesse levá-los daqui
com um subsídio qualquer de um ministério, de forma a suportar-lhes, lá fora, dormida e uma refeição diária.)
(Faça isso arquitecto, vá trabalhar lá para fora. Este povo não merece!)
Mas pode creditar o arquitecto que não está sozinho. Veja-se o que este povo fez ainda agora a Santana Lopes? Este povo é ingrato,
não tem gosto, não entende nada de arquitectura nem de politica. E, para mais, é feio. É um povo feio e mal agradecido.
(Não acha arquitecto?)
Eu, se estivesse no lugar do mestre, se tivesse a notoriedade dele, o seu nome e a sua competência, não só ia trabalhar lá para fora,
como nunca mais cá voltava. Nem depois de morto.
Acredito que, daqui a um século ou dois, já ninguém se lembraria do que Siza tinha dito e (se bem conheço este povosito) ainda
iria reivindicar os seus restos mortais, quem sabe, para os Jerónimos.
Rocambole

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