Hoje durante o almoço, num pequeno restaurante na Sra. da Hora, entrou um romeno que, com o seu violino, tocou algumas áreas da música popular da sua Romania e da Servia. Depois de ter recolhido algumas, poucas, moedas e enquanto esperava por um saco com o seu almoço foi falando comigo, com a minha mulher e meus filhos. Contou-nos que era Romeno, que tinha três, belas, filhas a viver em Espanha, vivia em Ovar e visitava a Roménia no verão “o Inverno é mui frio”. Falou de um “estranho” costume que existe em Portugal… colocar o nome Maria imediatamente antes de um outro nome. Na Roménia é algo que não fica bem. Depois de incentivar, várias vezes, os meus filhos a aprenderem um instrumento de sopro nunca o violino porque… “é muito difichile” lá foi dizendo que conhecia Emir Kusturica e que ama, acima de tudo, a musica.
Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra - Unza Unza Time
Fiquei contente por poder deixar de cobrar, a partir de Junho e aos meus clientes, 21% de IVA. A justiça já está cara, muito cara para que o estado exija ficar com uma percentagem, a título de imposto, com esta dimensão. Esta minha satisfação convenceu-me, no entanto, que há algo de patológico em Sócrates, concordo pois com Rui Castro aqui no 31 da Armada.
Já tinha conhecimento que o apelo ao principio da cooperação está a ser utilizado, pelas finanças, nas investigações que estão a ser levadas a cabo em relação aos comerciantes de automóveis usados, na tentativa de descobrirem o real valor das transacções e saberem o montante das comissões que as companhias de locação financeira pagam aos comerciantes pela angariação de clientes.
Através de duas simples cartas, uma ao comprador do veiculo outra ao comerciante, cruzam-se informações que de outra forma dariam muito trabalho a recolher.
Daqui um apelo aos barbeiros, manicuras e pedicuras. Cuidem-se!
A história politica da América está recheada de puritanismo estúpido, “putedo franciscano” e de pedidos de desculpa acompanhado das respectivas mulheres. Em 2004, durante as comemorações do dia de Portugal em Newark conheci pessoalmente o Governador de New Jersey, James McGreevey e a sua mulher a luso descendente Dina que, quatro meses depois, preparavam o divórcio porque aquele se tinha apaixonado, novamente, agora por um homem. Depois de muita “baba e ranho” e um pedido de desculpas público, na companhia da mulher, a demissão foi fatal.
Hoje é o governador de Nova York que, acompanhado da mulher, bate no peito e diz que é um calhorda.
Só espero que tenham tido bom proveito porque o número, com as respectivas mulheres, foi muito mau.
Se for verdade o relato do “DESTAK”, enquanto se brandia a falta de credibilidade da testemunha Carolina esta preocupou-se em provocar no juiz a convicção de que aquilo que diz é a verdade. A Carolina ou os seus conselheiros sabem que salvo quando a lei dispuser em contrário, a prova é apreciada segundo as regras da experiência e a livre convicção do julgador e é no equilíbrio destas duas vertentes (as regras da experiência e a livre convicção do julgador) que a prova há-de ser apreciada. Já a este propósito referia o Prof. Figueiredo Dias: “Por toda a parte se considera hoje a aceitação dos princípios da oralidade e da imediação como um dos progressos mais efectivos e estáveis na história do direito processual penal. Já de há muito, na realidade, que em definitivo se reconheciam os defeitos de processo penal submetido predominantemente ao princípio da escrita, desde a sua falta de flexibilidade até à vasta possibilidade de erros que nele se continha, e que derivava sobretudo de com ele se tornar absolutamente impossível avaliar da credibilidade de um depoimento (...). De qualquer modo, desde o momento em que - sobretudo por influxo das ideais da prevenção especial - se reconheceu a primacial importância da consideração da personalidade do arguido no processo penal, não mais se podia duvidar da absoluta prevalência a conferir aos princípios da oralidade e da imediação. Só estes princípios, com efeito, permitem o indispensável contacto vivo e imediato com o arguido, a recolha da impressão deixada pela sua personalidade. Só eles permitem, por outro lado, avaliar o mais correctamente possível da credibilidade das declarações prestadas pelos participantes processuais”- págs. 233-234. Não são os jornais, livros, revistas ou “opiniões públicas” que em última instância "sentenciam" a credibilidade do depoimento de Carolina, mas sim Carolina que com o seu depoimento influenciará positiva ou negativamente a convicção do Juiz. Carolina sabe-o e por isso levou a “malinha” com a tralha, dedicada, oferecida pelos arguidos
Hoje a sessão de julgamento do processo Apito Dourado que está a decorrer no Tribunal de Gondomar teve de ser interrompida porque chovia na sala de audiências. Ora como o edifico do Tribunal de Gondomar pertence à Câmara, logo se constou que Valentim Loureiro mandou retirar as telhas. Talvez à espera de mais sol para aquecer o processo.
Luís Filipe Vieira parece escolher sempre a pior forma para resolver as questões do Benfica. O tempo em que se apostou no treinador-jogador já passou e ficou provado que as coisas dessa forma não funcionam, muito menos num clube com a dimensão do Benfica. Claro que Vieira não escolheu um jogador treinador, mas fez pior, escolheu um jogador-director desportivo e a situação tornou-se ainda mais grave. Se por um lado, Rui Costa é subalterno de Camacho, por outro é chefe de treinador espanhol e ninguém sabe muito bem quem manda em quem. O resultado está à vista. A equipa passou a ter um único objectivo: jogar para servir Rui Costa e num ápice, o director desportivo passou a ser o melhor jogador da equipa, mas os “ajudantes” de Rui Costa fizeram falta noutros sectores e os maus resultados estão à vista. O director desportivo ficou e o treinador foi despedido. A corda parte sempre pele lado mais fraco, muito embora Rui Costa não se canse de dizer, que pior que Camacho só mesmo Ivic. Também acho, porque comigo, Rui Costa teria de escolher, ou era jogador ou director desportivo.
A propósito do filme de José Panilha “Tropa de Elite” não podia deixar de colocar a entrevista ficcionada de Arnaldo Jabor, ao conhecido traficante Marcola do Primeiro Comamando da Capital Os bandidos não são nem elegantes nem cultos e os policias não são inocentes.
- "Você é do PCC?" - Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural,desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias. A solução que nunca vinha... Que fizeram ?Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba ara nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo...Nós somos início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto...Leio Dante na prisão...
- Mas... A solução seria... - Solução? Não há mais solução, cara... A própria ideia de "solução" já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento económico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penaldo país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais,estaduais e federais (nós fazemos até Conference Calls entre presídios...) E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.
- Você não têm medo de morrer? - Você é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar... Mas eu posso mandar matar vocês lá fora.. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário,desovado numa vala... Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li3.000livros e leio Dante... Mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. Após-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, Internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
- O que mudou nas periferias? - Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório...Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no"microondas"... Ha, ha... Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais.Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
- Mas o que devemos fazer? - Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado,senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... O país está quebrado,sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gente já tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí... Pra acabar com a gente, só jogando bomba atómica nas favelas... Aliás, agente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo... Já pensou? Ipanema radioactiva?
- Mas... não haveria solução? - Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a"normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... na boa... na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês... não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogni speranzavoi che entrate!" -Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno. "
(texto enviado via mail pelo amigo Manuel Varandas)
O jornal “Sol” conta que “a PJ do Porto tinha sob escuta e vigilância um suspeito que estava a colaborar com a equipa especial da magistrada Helena Fazenda… (clique)” No corpo da notícia é referido que o indivíduo era escutado no âmbito de um processo por extorsão no qual o colaborador é queixoso ou seja, a escuta protegia não só o escutado como era um meio de obtenção de prova, até aqui nada a criticar muito menos se acreditarem nos glutões. O que me causa repulsa é o facto do jornal “Sol” não proteger a identidade do colaborador, de mais a mais num inquérito onde estão em causa crimes de sangue. Das duas uma ou as jornalistas, Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo, descuidaram-se e identificaram através da alcunha o informador ou então a notícia não é inocente e, se assim for, o visado deveria rapidamente denunciar criminalmente as duas jornalistas pois a notícia, sendo ou não verdadeira, põe em causa a sua vida ou pelo menos a integridade física.